Domingo, Novembro 19, 2006

Quando olhei para ti.

Após aquele mergulho
- é uma frase estúpida, não achas? Após aquele mergulho?
Após aquele megulho, ainda com a cabeça em papas e as mãos com vincos e chupões de anémonas e as pernas com dançarinos em chávenas de chá quente a lançarem malditas notas de culpa para quem conhece barbatanas e dicas de maré vaza, sabia estar perante a presença de um desapontamento que deixa cetim e papel na boca
- achas que já é tarde para apagar a luz?
Arrastei o meu corpo para depois da praia, onde o deitei ao teu lado, sossegado, ouvindo o teu respirar, diferente do meu, dois segundos atrasado, templo de lei maior o teu que rasteja para mim, eu a olhar o nosso amor, vida em barcos de junco e um quadro na parede, ao lusco fusco, menino com gato no colo, o teu rastear de lágrimas que quer ser descoberto sempre que assim, com olhos à espião e cigarro pendurado em lábios, te ofereço esconderijo por troca com piano e drama.